domingo, 5 de junho de 2011

Monografia (dificuldades na Aprendizagem da Leitura e Escrita


FACULDADE VALE DO SALGADO - FVS







DIFICULDADES NA APRENDIZAGEM DA LEITURA E
ESCRITA NO ENSINO FUNDAMENTAL.













Ipaumirim – CE
Outubro / 2008
FACULDADE VALE DO SALGADO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDGOGIA










DIFICULDADES NA APRENDIZAGEM DA LEITURA E
ESCRITA NO ENSINO FUNDAMENTAL.




JOSEFA MARIA LEITE

 

 

 

 

 

 

 

 

Ipaumirim – CE

Outubro / 2008
JOSEFA MARIA LEITE









DIFICULDADES NA APRENDIZAGEM DA LEITURA E
ESCRITA NO ENSINO FUNDAMENTAL.





Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do Curso de Especialização da Faculdade Vale do Salgado – FVS, como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Psicopedagia, sob orientação da Professora Silvana Pinho.








Ipaumirim – CE

Outubro / 2008
TERMO DE DEFESA E APROVAÇÃO



Trabalho de Conclusão de Curso, Dificuldades na Aprendizagem da Leitura e Escrita no Ensino Fundamental, da Faculdade Vale do Salgado – FVS, como requisito parcial à obtenção do Grau de Especialista em Psicopedagogia, outorgado pela referida instituição.

____________________________________________
Josefa Maria Leite


Trabalho de conclusão de Curso apresentado em: ______/______/________

Conceito obtido: _____________________________

BANCA EXAMINADORA




______________________________________________________
Prof. – M.Sc.- Orientador



_______________________________________________________
Prof. – M.Sc.- Avaliador



_______________________________________________________
Prof. – M.Sc.- Avaliador



_______________________________________________________
Prof. – M.Sc.- coordenadora

 

Ipaumirim – CE

Outubro / 2008











































“Uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental, ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento”

            Vygotsky



































AGRDECIMENTOS

                            
Agradeço a Deus por ter me iluminado, dando-me inspiração e sabedoria.
À minha família pela compreensão e apoio.
À Professora Silvana Pinho, por sua orientação, amizade e dedicação.
À Professora Iracivan pelo conhecimento transmitido e pela colaboração com o nosso aprendizado.
Aos colegas de turma pelo companheirismo e amizade.
RESUMO





Esta monografia trata-se de uma abordagem teórica sobre o tema: Dificuldades na Aprendizagem da Leitura e Escrita no Ensino Fundamental. Os educadores vêm sofrendo com as dificuldades de aprendizagem, um fracasso escolar que caminha junto com o aluno, deixando-o cada vez mais impossibilitado de  aluno irem dificuldades na leitura e na escrita ocorrido na E.ter um desenvolvimento adequado a série pela qual está cursando, pois o ritmo é lento. Por este motivo senti a necessidade de fazer um estudo mais aprofundado sobre os fatores que causam dificuldades na aprendizagem.Como objeto de estudo do tema proposto destaca-se a pesquisa dos fundamentos teóricos da formação de leitores e da aquisição da escrita a fim de facilitar o aperfeiçoamento das técnicas de procedimento do ensino da língua portuguesa.
O presente trabalho vem atender os requisitos básicos do Curso de Especialização em Psicopedagogia Institucional e com o objetivo de compreender os fatores que interferem na aprendizagem, como também analisar as dificuldades para desenvolver um trabalho eficiente para o ensino da leitura e escrita.
Durante este trabalho, realizei pesquisas bibliográficas, fiz fichamentos, coletei informações através do estudo de campo, analisei entrevistas aplicadas aos alunos, pais e professores a cerca dos problemas que interferem na aprendizagem dos alunos.
A estrutura do trabalho, elaborado com vista ao alcance dos objetivos citados, se afirma em três capítulos dos quais manifesta no primeiro capítulo um enfoque sobre questões referentes á leitura e escrita; no segundo capítulo manifesta as contribuições no processo de aprendizagem; e no terceiro capítulo,  a pesquisa de campo.
A fundamentação teórica é feita a partir de concepções de autores como Emília Ferreiro, Paulo Freire, Vigotsky entre outros que permitiu o desenvolvimento geral do estudo proposto.



                                                                   





 

 











SUMÁRIO





Apresentação.......................................................................................................................
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CAPÍTULO I - LEITURA E  ESCRITA.......................................................................
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1.1.Origem da Escrita .........................................................................................................
10
1.2.A importância da escrita................................................................................................
11
1.3.A importância da leitura ...............................................................................................
12
1.4.Reflexão sobre a Alfabetização.....................................................................................
13
1.4.1.Desenvolvimento da escrita .......................................................................................
14
1.4.2.Desenvolvimento da leitura .......................................................................................
15
1.4.3.Leitura com prazer .....................................................................................................
16
1.5.Fatores que dificultam a aprendizagem da leitura e escrita...........................................
17
1.5.1.Leitura e escrita no contexto social ...........................................................................
22
CAPÍTULO II- CONTRIBUIÇÕES NO PROCESSO DA APRENDIZAGEM.........
24
2.1- Perfil do profissional docente......................................................................................
24
2.2- Motivação na Aprendizagem.......................................................................................
25
2.3- Participação da família na vida dos educandos............................................................
26
2.4- Dados e identificação da E.E.F.Dr. Jarismar G. Melo.................................................
27
2.5- Análise das entrevistas.................................................................................................
30
2.5.1- Entrevista com professor...........................................................................................
30
2.5.2- Entrevista com pai de aluno.....................................................................................
31
2.5.3- Entrevista com aluno.................................................................................................
32
CAPÍTULO III- PESQUISA DE CAMPO.....................................................................
34
Relatório de Observação.....................................................................................................
34
Considerações finais...........................................................................................................
40
Referências Bibliográficas...................................................................................................
41
ANEXO





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APRESENTAÇÃO

O presente trabalho contém um estudo sobre Dificuldades da Leitura e da Escrita na vida de nossos educandos. Pois estes dois elementos constituem um alicerce para um bom desempenho dos indivíduos em todas as atividades escolares. Apesar da Revolução do ensino ocorrida na última década e conseqüentemente o surgimento de novos métodos e técnicas de transmissão de conhecimento, a arte de ensinar a ler e escrever não têm sido eficaz. As competências e habilidades na área de língua portuguesa adquiridas pelos alunos do ensino básico estão longe de atingir as metas desejadas pelo MEC. Por este motivo, senti a necessidade de fazer um estudo mais aprofundado sobre essas dificuldades da Língua Portuguesa. Por meio de um estudo de campo, pretendo também compreender os fatores que levam os alunos a sentirem dificuldades na leitura e na escrita ocorrido na E.E.F. Dr. Jarismar Gonçalves Melo. A fundamentação teórica realizou a partir da concepção de alguns autores como Paulo Freire, Emília Ferreiro entre outros que permitiram o desenvolvimento de estudo proposto.        


       






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CAPÍTULO I
LEITURA E  ESCRITA

1.1 - Origem da Escrita

Antes que o homem soubesse escrever, não havia história dos antepassados, mas ele sentia necessidade de registrar os fatos acontecidos, motivo pelo qual eles começaram a fazer desenhos e pinturas nas paredes das cavernas, o que representava uma forma de comunicação, ou seja, uma tentativa de escrita, embora muito rudimentar.
Com o tempo a escrita foi mudando e as pessoas precisavam escrever fatos mais complexos.
Atualmente todas as sociedades civilizadas possuem uma escrita. O mundo moderno precisa da escrita até para registro das ocorrências mais simples.
Na Antiguidade a escrita era privilégio de sacerdotes e nobres, enquanto hoje é uma necessidade e direito de todos.
Foram os babilônios que descobriram a primeira escrita bem codificada e os egípcios criaram uma escrita muito rústica para se escrever em pedras. Esta escrita durava por muito tempo, por isso foi importante para a história da humanidade. Foi através dela que se formaram as palavras que tinha o nome de escrita “cuneiforme”.
Com cada figura escrita os egípcios representavam uma palavra. Mais tarde esse povo inventou o papel, em sua forma mais arcaica,  o papiro. Como o trabalho no papiro exigia muita minúcia e paciência, criou-se a escrita cursiva (a mais utilizada na atualidade), mais fácil de ser aplicada sobre esse suporte e que contribuiu consideravelmente para a popularização da escrita. A partir daí tiveram a influência dos hieróglifos, que significava grafia sagrada e era composta de belíssimos desenhos estatizados formando bonitos poemas visuais que, após tantos séculos, permanecem extasiantes.
“A história da escrita, vista no seu conjunto, sem seguir uma linha de evolução cronológica de nenhum sistema especificamente, pode ser caracterizada como tendo três fases distintas: a pictórica, a ideográfica e a alfabética”. (CACLIARI, 1995, p. 106).
Foi através dos egípcios que passamos a conhecer o alfabeto da linguagem fenícia, o qual deu origem a escrita alfabética, que foi usado com muita habilidade.
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A escrita é muito importante em todas as produções e instruções como: compreensão de placas, as instruções para manejo de máquinas, as bulas de remédios, etc. Resumindo, a gente vive num mundo rodeado de coisas escritas. Basta sair às ruas e olhar: é o jornaleiro com revistas, jornais e livros; é a placa da rua, do ônibus, da loja; os cartazes de propaganda, as embalagens dos produtos.
A escrita alfabética é usada para representar a fala e compreender a mensagem.

1.2.  A importância da Escrita

A concepção da escrita está ligada à leitura, uma vez que as duas atividades fazem parte do processo comunicativo entre o autor e leitor. Dado esse caráter social, diferentes funções são desempenhadas pela escrita, como informar, auxiliar a memória, opinar, divertir, entre outras que fazem parte da vida em uma sociedade letrada como a nossa, não podendo, pois, essa ser tratada como uma atividade puramente escolar. Esse caráter de funcionalidade da escrita impõe uma mudança de foco na prática pedagógica: a ênfase deve recair no processo e não no produto. No ato de produção do texto, é fundamental saber para quê e para quem a mensagem deverá ser expressa.
A escrita é uma grande preocupação para os pais e para os professores. Quando um professor pega uma produção textual como uma carta, um bilhete ou um recado, a primeira observação que ele faz são os erros ortográficos. Sabe-se que quando a criança escreve como fala, essa produção de escrita é fonética. Sabe-se também que muitos alunos escrevem as palavras desta forma. Mediante tac situação, o professor precisa observar como os seus alunos se expressam oralmente ao se relacionar com os colegas, para depois relaciona-los com a sua expressão escrita. É a partir daí que o professor precisa trabalhar o dialeto dos seus alunos, para descobrir o registro fonético das palavras.
A escrita serve como treino ortográfico, fazendo cópias  o aluno vai descobrindo sua produção caligráfica.
O aluno de hoje está exposto a uma multiplicidade de material escrito, mas é preciso ler além do que está escrito. Cabe à escola contribuir para que o aluno seja capaz de transitar por todos esses caminhos.
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O ato de escrever é um processo de construção e reconstrução de sentido em relação ao que se vê, ao que se ouve, sente e pensa.

1.3. A Importância da Leitura

Para Freire (1989:11-12), a “leitura de mundo precede a leitura da palavra,  daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele”, uma vez que ela seria a ponte para o progresso educacional eficiente, proporcionando a formação integral do indivíduo.
A maior parte dos conhecimentos humanos é obtida por intermédio da leitura, por isso é preciso ler muito, continuadamente e com regularidade, pois ler constantemente significa aprender a conhecer, interpretar, decifrar e distinguir os elementos fundamentais dos secundários.
Trabalhar a leitura em sal de aula ajuda o leitor a desenvolver bons padrões das palavras, a boa articulação, o timbre de voz e a entonação adequada, a pontuação, entre outras. Além disso, é claro que se dever trabalhar habilidades como a de ouvir e se fazer ouvir.
Sabe-se que a leitura vai além de um saber expresso através de anotações. Por esse motivo é preciso ler repetidamente por diversas vezes para poder entender melhor o que está escrito. Ao pronunciar apenas uma palavra pode-se constituir um texto suscetível de uma leitura. Por exemplo, as primeiras palavras de uma criança são possíveis ser interpretadas. Ela está fazendo a leitura de um mundo que a cerca.
A leitura do mundo precede a leitura do texto, parafraseando Freire (1983, p. 22), e a leitura do hipertexto é precedida por essas outras: a do mundo e a do texto. Assim, acreditando nisso que assinala Paulo Freire percebemos que todos lemos a nós e ao mundo à nossa volta para vislumbrarmos o que somos e onde estamos. A leitura é o caminho necessário e essencial para a compreensão e a atuação do indivíduo no meio social.
É lendo que adquirimos novos conhecimentos, desafiamos nossa imaginação e descobrimos o prazer de pensar e sonhar. O aluno com dificuldade em leitura perde a oportunidade de entender a riqueza de aprender e compreender o funcionamento e as características da vida.
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É por meio da leitura que se tem acesso à cidadania, a melhores posições no mercado de trabalho, um entendimento mais profundo da vida em sociedade, à construção de uma personalidade mais crítica e, portanto, mais livre para que se busque a felicidade pretendida por todos.

1.4. Reflexão Sobre a Alfabetização

Podemos definir a alfabetização como um processo de contínua descoberta, reconhecimento, relacionamento, interpretação e interiorização do universo da língua escrita.
O processo de alfabetização se identifica com a própria comunicação. A criança, para aprender a falar, interage com quem está a sua volta e aprende a falar.
Na alfabetização, a criança também deve atuar como sujeito do processo de aquisição da língua escrita. Será um ser ativo na aprendizagem da leitura escrita mediante a interação com o meio ambiente, com o outro e consigo mesma.
Dessa forma, é importante que o professor gere ações, onde a criança possa vivenciar temas interessantes, estimulando-a com atividades prazerosas de leitura e escrita, buscando sempre o sentido daquilo que se lê e se escreve, interagindo com o objeto de conhecimento que é a linguagem escrita e oral, trocando conhecimentos e estabelecendo relações com as outras áreas de aprendizagem que criem condições para que a criança se alfabetize sem nenhuma dificuldade.
Assim, é pensando e agindo, formulando hipóteses, refletindo e construindo o próprio saber que a criança ira ler e escrever o mundo.
De acordo com Ferreiro (1991):
“Os dois pólos do processo de aprendizagem (quem ensina e quem aprende) têm sido caracterizados sem que se leve em conta o terceiro elemento da relação: a natureza do objeto de conhecimento envolvendo esta aprendizagem”.
Aprendizagem é troca, interação, participação; é o resultado de um confronto entre diferentes hipóteses ou pontos de vista. Portanto, a presença do outro é de fundamental importância para a aquisição da aprendizagem.


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1.4.1. Desenvolvimento da Escrita

Inúmeras pesquisas já comprovaram que as crianças de classes diferenciadas aprendem a ler e a escrever da mesma maneira. Num primeiro estágio, distinguem o que é desenho do que é escrita. No contato com o professor e em atividades regulares de sala de aula, elas passam a refletir sobre a organização do nosso sistema de escrita. As descobertas de Emília Ferreiro revelam que essa construção do conhecimento tem fases com degraus intermediários entre elas:
§  no nível pré-silábico, a criança constrói dois critérios: que é preciso uma quantidade mínima de letras (três) para que se possa ler e escrever e elas precisam ser diferentes;
§  no silábico, ela costuma usar uma letra para cada sílaba (PFOA para professora, por exemplo);
§  no alfabético, se estabelece a relação direta entre as letras e os sons (mas ainda são comuns os erros de ortografia, como em MEZA);
§  e só no ortográfico o aluno começa a dominar as regras do sistema alfabético para produzir textos corretamente. 
Essas hipóteses acontecem em todas as crianças e vão evoluindo gradativamente em sua aprendizagem, através da escrita na qual a criança vai associar os sons.
Para que a criança chegue ao patamar desejado, é importante que o educador saiba organizar, sistematizar, adequar a métodos que sejam suporte e orientação no processo de elaboração do conhecimento da leitura/escrita, com isto ela irá conseguir vencer todos os níveis até chegar no ortográfico “lendo e escrevendo”.
Com a aplicação de métodos evolutivos a criança terá uma aprendizagem significativa. É preciso organizar o trabalho educativo para que os alunos experimentem, vivenciem a prática de produção de textos. O documento PCN’s/LP assinala:
“É necessário, portanto, ensinar o aluno a lidar tanto com a escrita da linguagem – os aspectos notacionais relacionados ao sistema alfabético e às restrições ortográficas – como com a linguagem escrita - os aspectos discursivos relacionados à linguagem que se usa para escrever. Para tanto é preciso que, tão logo o aluno chegue à escola, seja solicitado a produzir seus próprios textos, mesmo que não saiba grafa-los, a escrever como lhe for possível, mesmo que não o faça convencionalmente”. (1997, p. 68).
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A leitura e a escrita são conhecimentos complementares no desenvolvimento da competência textual do aluno.

1.4.2. Desenvolvimento da Leitura

O grande desafio do educador das séries iniciais é compreender o processo e procurar agir de forma dinâmica e diversificar ao realizar atividades que desenvolvam as habilidades da linguagem verbal como: a leitura, a escrita, a fala e a escuta. A leitura é a habilidade lingüística mais difícil e complexa. A leitura é um processo de aquisição da lectoescrita e,  como tal, compreende duas operações fundamentais: a decodificação e a compreensão.
A decodificação é a capacidade que temos como escritores ou leitores ou aprendentes de uma língua  para identificarmos um signo gráfico por um nome ou por um som. Esta capacidade ou competência lingüística consiste no reconhecimento das letras ou signos gráficos e na tradução dos signos gráficos para a linguagem oral ou para outro sistema de signo.
A aprendizagem da decodificação se consegue através do conhecimento do alfabeto e da leitura oral. Conhecer o alfabeto não significa apenas o reconhecimento das letras, e sim, entendermos a evolução da escrita como: a pictográfica (desenho figurativo), a ideográfica (representação de idéias sem indicação dos sons das palavras) e a fonográfica (representação dos sons das palavras).
As funções essenciais da leitura são: transformar, compreender e julgar.
§    Transformar, em leitura, se dá quando o leitor  converte a linguagem escrita em linguagem oral.
§    Compreender se efetiva quando o leitor consegue captar ou dá sentido ao conteúdo da mensagem.
§    Julgar é capacidade que o leitor tem de analisar o valor da mensagem.
O enfoque da  Psicolingüística considera a leitura como uma habilidade complexa, na qual intervém uma série de processos cognitivo-lingüísticos de distintos níveis, cujo início é um estímulo visual e cujo final deve ser a decodificação do mesmo e sua compreensão. 
Os processos básicos da leitura são também chamados de “processos de nível inferior”. Sua finalidade é o reconhecimento e a compreensão das palavras. Dentro destes se encontram a decodificação  e a compreensão de palavras. Já os “processos de nível superior” têm por finalidade a compreensão de textos.
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Os processos básicos que se voltam à decodificação e à compreensão de palavras, são particularmente importantes nas primeiras etapas da aprendizagem da leitura e devem ser bem assimilados até a quarta série, já que um déficit em alguns alunos e impede o desenvolvimento dos processos superiores de compreensão da leitura.


1.4.3. Leitura com Prazer


A leitura, parte de um processo que também se desenvolve de forma gradual, é um hábito a ser adquirido e deve ser fonte de prazer e não apresentada de forma obrigatória através de imposição ou cercada de castigos e ameaças.
A leitura reflete-se de forma significativa na escrita da criança (e do adulto), na medida em que, ao ler, memorizamos as correspondências ortografia-som sem memorizar regras, e apreendemos também as exceções das mesmas, além de ampliarmos o vocabulário e o conhecimento das estruturas de diferentes textos, o que aumenta o repertório e reflete-se em uma escrita melhor.
É muito importante para a criança viver em um ambiente familiar letrado. Do ponto de vista psicológico e cultural as crianças normalmente desenvolvem as competências fundamentais para a leitura no contato com irmãos, adultos, vizinhos, por meio de interações, conversas e brincadeiras. Neste sentido, o desenvolvimento é natural e as competências são aprendidas de maneira informal. Mas grande parte das crianças oriundas de ambientes extremamente pobres não tem oportunidade de desenvolve-las. Ela já valoriza o contato com jornais, revistas, livros, etc.
Os adultos que participam da vida da criança têm papel fundamental no aprendizado da leitura e escrita. Por isso é importante que sejam modelos de leitura, que leiam freqüentemente para a criança e que introduzam a leitura em sua vida o mais cedo possível. Afinal, ler é um hábito a ser desenvolvido e, como todo o hábito, só se instala se for realizado muitas vezes.



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1.5. Fatores que dificultam a Aprendizagem da Leitura e Escrita

Sendo a aprendizagem um processo constituído por diversos fatores, é importante ressaltar que além do aspecto fisiológico referente ao aprender, como os processos neurais ocorridos no sistema nervoso, as funções psicodinâmicas do indivíduo necessitam apresentar um certo equilíbrio, sob a forma de controle e integridade emocional para que ocorra a aprendizagem.
De acordo com Caraher:
“Uma criança sadia, ao ingressar na escola, já sabe falar, compreende explicações, reconhece objetos e formas desenhadas e é capaz de obedecer a ordens complexas.. Não há razão para que ela não aprenda também a ler”. (2002,  p. 7).
Toda criança encontra alguma dificuldade na aprendizagem da leitura e da escrita. Muitas delas superam-se durante o processo de aprendizagem, mas outras não conseguem e através de testes de inteligência é possível detectar que são crianças com dificuldades de aprendizagem. Geralmente essas crianças costumam repetir o ano escolar várias vezes.
Certas dificuldades podem surgir por diversos motivos, como problemas na proposta pedagógica, capacitação do professor, problemas familiares ou déficits cognitivos, entre outros. Assim que identificados, os pais devem procurar orientações de um profissional habilitado para que medidas adequadas sejam tomadas. Os principais problemas são:
§   Dislexia -  é uma das mais comuns deficiências de aprendizado.
Segundo pesquisas realizadas, 20% de todas as crianças sofrem de dislexia, o que faz com elas tenham grande dificuldade ao aprender a ler, escrever e soletrar. Pessoas disléxicas que nunca se trataram - lêem com dificuldade, pois é difícil para elas assimilarem palavras. Isto não quer dizer que elas são menos inteligentes. Aliás, muitas delas apresentam um grau de inteligência normal ou até superior ao da maioria da população. Ela é vista como uma condição hereditária devido a alterações genéticas, mas tal só acontece numa pequena porcentagem de casos. Ela também é caracterizada por apresentar padrão neurológico.
Lembramos que este distúrbio envolve percepção, memória e análise visual. A área do cérebro responsável por estas funções envolve a região do lado occipital e parietal.

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Sintomas da dislexia:
§   Dificuldades com a linguagem e escrita;
§   Dificuldades em escrever;
§   Dificuldades com a ortografia;
§   Lentidão na aprendizagem da leitura;
§   Dificuldades com memória de curto prazo e com organização;
§   Dificuldades com a língua falada;
§   Dificuldades com a percepção espacial;
§   Confusão entre direita e esquerda.

§   Disgrafia – é uma alteração da escrita, normalmente ligada a problemas percepto-motores. É também chamado de letra feia. Ao tentar recordar esse grafismo escreve muito lentamente o que acaba unindo inadequadamente as letras, tornando-as ilegível.
Podemos encontrar dois tipos de disgrafia:
§   Disgrafia motora - a criança consegue falar e ler, mas encontra dificuldades na coordenação motora fina para escrever as letras, palavras e números, ou seja, vê a figura gráfica, mas não consegue fazer os movimentos para escrever.
§   Disgrafia perceptiva - não consegue fazer relação entre o sistema simbólico e as grafias que representam os sons, as palavras e frases. Possui as características da dislexia sendo que esta está associada à leitura e a disgrafia está associada à escrita.
A escrita disgráfica pode ser observada através das seguintes manifestações:
§   Traços pouco precisos e incontrolados;
§   Falta de pressão com debilidade de traços demasiado fortes que vinquem no papel;
§   Grafismos não diferenciados nem na forma nem no tamanho;
§   Escrita desorganizada;
§   Realização incorreta de movimentos de base, especialmente em ligação com problemas de orientação espacial, etc.
§  
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Disortografia – Consiste numa escrita, não necessariamente disgráfica, mas com numerosos erros, que se manifestam logo que tenham adquirido os mecanismos da leitura e da escrita. Um sujeito é disotorgráfico, quando comete um grande número de erros. Destaca-se atraso na aquisição da linguagem, vocabulário pobre e outros. A característica principal de um sujeito com disortografia são as confusões de letras, sílabas de palavras e trocas ortográficas já trabalhadas pelo professor. Exemplo: troca letras, que parecem sonoramente, confunde sílabas, omite letras, funções, etc.
§   Dislalia – é um distúrbio da fala, caracterizado pela dificuldade em articular as palavras. Basicamente consiste na má pronúncia das palavras, seja omitindo ou acrescentando fonemas, trocando um fonema por outro ou ainda distorcendo-os.
A falha na emissão das palavras pode ainda ocorrer em fonemas ou sílabas. Assim sendo, os sintomas da dislalia consistem em omissão, substituição ou deformação de fonemas.
As dislalias constituem um grupo numeroso de perturbações orgânicas ou funcionais da palavra. No primeiro caso, resultam das malformações ou de alterações de inervação da língua, da abóbada palatina e de qualquer outro órgão da fonação. Encontram-se em casos de malformações congênitas, tais como o lábio leporino ou como conseqüência de traumatismos dos órgãos fonadores. Por outro lado, certas dislalias são devidas a enfermidades do sistema nervoso central.
Quando não se encontra nenhuma alteração física a que possa ser atribuído a dislalia, esta é chamada de dislalia funcional. Nesses casos, pensa-se em hereditariedade, imitação ou alterações emocionais e, entre essas, nas crianças é comum a dislalia típica dos hiperativos. Também nos deficientes mentais se observa uma dislalia, às vezes grave a ponto da linguagem ser acessível apenas ao grupo familiar.
§   Afasiaé uma perturbação devido a uma lesão adquirida e recente do sistema nervoso central, da capacidade de compreender e formular linguagem. è uma perturbação multimodal, representada por alterações diversas: compreensão auditiva, linguagem expressiva oral, leitura e escrita.
O afásico pode apresentar-se mais ou menos perturbado nos seguintes aspectos:
§   Tem dificuldade em dizer o que quer, limita-se usando poucas palavras;
§  
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Tem dificuldade em perceber o significado dos gestos das outras pessoas;
§   Tem dificuldade em fazer gestos para exprimir o que deseja;
§   Tem dificuldade em fazer contas, utilizar o dinheiro, etc.;
§   Tem dificuldade em compreender o que lê.

Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)

A hiperatividade e déficit de atenção é um problema mais comumente visto em crianças e se baseia nos sintomas de desatenção (pessoa muito distraída) e hiperatividade (pessoa muito ativa, por vezes agitada, bem além do comum). Tais aspectos são normalmente encontrados em pessoas sem o problema, mas para haver o diagnóstico desse transtorno a falta de atenção e a hiperatividade devem interferir significativamente na vida e no desenvolvimento normais da criança ou do adulto.
Antes dos quatro ou cinco anos é difícil ser feito o diagnóstico, pois o comportamento das crianças nessa idade é muito variável, e a atenção não é tão exigida quanto de crianças mais velhas.
Geralmente o problema é notado quando a criança inicia atividades de aprendizado na escola, pelos professores das primeiras séries, quando o ajustamento à escola mostra-se comprometido. Durante o início da adolescência o quadro geralmente mantém-se o mesmo, com problemas predominantemente escolares, mas no final da adolescência e início da vida adulta o transtorno pode acompanhar-se de problemas de conduta (mau comportamento) e problemas de trabalho e de relacionamentos com outras pessoas. Porém, no final da adolescência e início da vida adulta ocorre melhora dos sintomas na maioria dos casos.
§   Agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira;
§   Abandona sua cadeira em sala de aula ou em outras situações nas quais se espera que permaneça sentado;
§   Corre ou escala em demasia, em situações impróprias;
§   Tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer;
§   Está sempre "a todo vapor";
§   Fala demais;
§  
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É impulsiva;
§   Dá respostas precipitadas antes de ouvir as pergunta inteira;
§   Tem dificuldade para aguardar sua vez;
§   Intromete-se na conversa dos outros ou a interrompe.
É uma obrigação do professor e pais conhecerem os sintomas e aprender a lidar com esse problema, pois o aluno não pode perder o rendimento.
Os professores precisam ter paciência e disponibilidade, pois eles exigem tratamento diferente, mais atenção e uma rotina especialmente estimulante.
Os casos graves necessitam de tratamento com medicamentos.
O tratamento é feito por um período mínimo de dois anos, mas deve durar até a adolescência, quando os sintomas desaparecem, graças ao amadurecimento do cérebro, que equilibra a produção de dopamina.
Para lidar com a agitação dos alunos, recomenda-se:
§   Trabalhar com pequenos grupos, sem isolar as crianças hiperativas;
§   Dar tarefas curtas ou intercaladas, para que as crianças possam concluí-las antes de se dispersar;
§   Elogiar sempre os resultados;
§   Usar jogos e desafios para motivá-los;
§   Valorizar a rotina, pois ela deixa a criança mais segura, mantendo sempre o estímulo, através de novidades no material pedagógico;
§   Permitir que elas consertem os erros, pedindo desculpas quando ofender algum colega ou animarem a bagunça da classe;
§   Repetir individualmente todo comando que for dado ao grupo e fazendo-o de forma breve e usando sentenças claras para entenderem;
§   Pedir a elas que repitam o comando para ter certeza de que escutaram e compreenderam o que o professor quer;
§   Dar uma função oficial às crianças, como ajudantes do professor; isso faz com que elas melhorem e abram espaços para o relacionamento com os demais colegas;
§   Mostrar limites de forma segura e tranqüila, sem entrar em atrito;
§   Orientar os pais a procurarem um psiquiatra, um neurologista ou um psicólogo.
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A criança com problema de aprendizagem deverá se submeter a um diagnóstico, que deve ser feito por um profissional de saúde capacitado, geralmente pode ser um neurologista, psicólogo, pediatra ou psiquiatra. O diagnóstico deve ser auxiliado por testes psicológicos ou neurológicos, principalmente em casos duvidosos como em adultos, mas mesmo em crianças para o acompanhamento adequado ao tratamento. Assim ela terá uma melhor recuperação no desenvolvimento da aprendizagem.

1.5.1. Leitura e escrita no contexto social

É consenso no país que nossa Educação vai mal. E isto é um nó que precisamos desatar, de uma maneira específica “alfabetizar bem” as crianças no primeiro ano escolar, principalmente as que têm dificuldades de aprendizagem.
Precisamos acabar com o alto índice de reprovação. Além disso, números do SAEB mostram que 18% dos alunos chegam à quarta série sem dominar os princípios básicos da escrita e leitura. Essas crianças com fracasso no início de escolaridade vêm de famílias que não têm acesso à leitura e à escrita e, mal atendidas pelo sistema de ensino, o que acaba deixando o aluno permanecer numa situação caótica.
É necessário um diagnóstico para conhecer o nível em que está a turma. Deve-se perceber os avanços e as dificuldades dos alunos, para planejar uma boa aula e propor atividades adequadas para leva-los ao desenvolvimento ainda maior e chegar ao final do ano lendo e escrevendo corretamente.
O saber ler e escrever se caracteriza como um elemento necessário para sua autonomia em relação à comunicação com a família e com o meio; e mais expressivamente no campo das representações sociais.
Através da leitura, exercitamos nossa inteligência e nos integramos com o mundo, adquirindo novos conhecimentos. a leitura como a escrita tem um lugar importante na vida das pessoas, elas nos dão o poder do conhecimento, a capacidade de associar idéias, planos, sintetizar assuntos, tornam-nos mais críticos e renovam a nossa criatividade.
A tarefa de escrever, por sua vez, exige uma série de atitudes conscientes e conhecimentos pré-adquiridos pelo escritor, envolvendo toda sua historicidade e um exercício do ato de ler.
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“Para aprender a escrever, é necessário ter acesso à diversidade de textos escritos, testemunhar a utilização que se faz da escrita em diferentes circunstâncias, defrontar-se com as reais questões que a escrita coloca a quem se propõe produzi-la, arriscar-se a fazer como consegue e receber ajuda de quem já sabe escrever. Sendo assim, o tratamento que se dá à escrita na escola não pode inibir os alunos ou afastá-los do que se pretende; ao contrário, é preciso aproximá-los, principalmente quando são iniciados “oficialmente” no mundo da escrita por meio da alfabetização. Afinal, esse é o início de um caminho que deverão trilhar para se transformarem em cidadãos da cultura escrita”. (PCN, 1997, p.66).



















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CAPÍTULO II

CONTRIBUIÇÕES NO PROCESSO DA APRENDIZAGEM


2.1-Perfil do Profissional Docente

Ao longo dos tempos, foram atribuídos vários papéis ao professor: protetor da criança, vigia, detentor do saber, enfim, diversas concepções sobre a natureza do trabalho docente que se relacionam com as diferentes teorias pedagógicas.
Há educadores que questionam sobre o papel do professor na atividade educativa. Alguns afirmam que o professor é um facilitador da aprendizagem, outros dizem que o professor é um transmissor da cultura e conhecimento, mas a função primordial é garantir ao aluno o acesso ao conhecimento. É importante considerar que o conhecimento é o ponto de partida para a criatividade. O homem, para criar precisa ter uma base sólida de conhecimento, e ser crítico implica uma maneira de se relacionar com o conhecimento que ultrapassa a espontaneidade e a reflexão superficial.
Uma educação formal desenvolvida pela escola, tem como missão ultrapassar o senso comum, portanto um dos objetivos específicos: proporcionar ao aluno a aprendizagem de conhecimentos básicos que possibilitem seu desenvolvimento e o entendimento da realidade que o cerca.
Uma vez que a função social da escola é transmitir o conhecimento socialmente construído o papel do professor é o de mediador entre o aluno e os conteúdos a ser aprendidos. O professor deve ter clareza dos objetivos de ensino e conhecer o que seus alunos já sabem para melhor organizar suas intervenções, criando condições para que os conteúdos sejam sistematizados e acompanhados no decorrer do processo ensino/ aprendizagem.
Para que o professor ensine com responsabilidade e compromisso é necessário saber que a metodologia e as estratégias de ensino são elementos norteadores ao seu trabalho e não perda de tempo, como muitos falam, e devem estar presentes na organização e no desenvolvimento de sua tarefa educativa, por isso, estudadas, exploradas e aplicadas segundo sua conveniência.
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O educador de sucesso precisa ter comprometimento político com o que faz. Compreendendo a sociedade em que vive, terá clareza daquilo com que está comprometida sua ação, trabalhando para que a sociedade se modifique. Ele também necessita conhecer bem o campo científico com o qual trabalha, para desempenhar com adequação sua atividade.
Ensinar não significa, simplesmente, ir para uma sala de aula onde se faz presente uma turma de alunos e “despejar”sobre ela uma quantidade de conteúdos. O professor necessita possuir habilidades na utilização e aplicação de procedimentos de ensino. É como diz Vigtosky “O único bom ensino é aquele que adianta ao desenvolvimento”.
O processo educativo exige envolvimento afetivo. Daí vem a “Arte de ensinar”, que nada mais é que um desejo permanente de trabalhar.
Do ponto de vista do Psicopedagogo, o aluno com fracasso escolar, sofre problemas psicologicamente e fisicamente, e se sente in capaz de assimilar os ensinamentos. É importante que os professores não deixem de lado os alunos problemáticos, vale resolver os problemas, visando reintegrá-los nos bancos escolares. E o problema escolar deve ser diagnosticado, prevenido e curado a partir de dois personagens: o ensinante e o aprendente, ou seja, o fracasso de quem ensina ou quem aprende. É preciso descobrir a área que se encontra mais comprometida com a dificuldade, para que o professor tente minimizar essas dificuldades por meio de uma intervenção eficaz, para que o aluno consiga superar o fracasso e ter sucesso nos estudos.       
              

2.2- Motivação na Aprendizagem


Para que o aluno sinta o desejo de aprender ou fazer algo, necessita ser motivado, dentro de um processo dinâmico. Como sabemos, a motivação é a mala mestre do comportamento de aprendizagem.
A motivação pode ser interna(intríseca), quando leva o indivíduo a buscar, e superar  desafios. O feedback recebido em função do que fez para enfrentar esses desafios repercute em seu conceito sobre sua competência, suas habilidades, sua alta eficácia e, portanto, em sua capacidade para iniciar ações relevantes para sua vida.
Este tipo de motivação manifesta-se sempre que a curiosidade e o interesse energizam e dirigem a aprendizagem do aluno. Quando o professor ajuda o aluno a querer superar os desafios e objetivos estabelecidos pelas escolas e professores, automaticamente está ajudando o aluno a tornar-se mais capaz de adaptar-se a novos desafios.
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A motiva é externa(extrínseca), são fatores que surgem de fora da pessoa para movê-la rumo à realização de certas ações que ela não colocaria em prática, exemplo: incentivos, prêmios, elogios, pagamentos, reforços e estímulos. Mas a motivação extrínseca sempre será mais fraca do que a motivação, baseada em interesses ou reforços intrínsecos.
Portanto, o desejo de motivar o comportamento de alunos mediante reforços como os descritos, requer muito tempo e estratégias concretas para combina-los com o uso de mediação cognitiva, ou seja, com o ensino de “idéias” ou estratégias internas que os alunos podem aprender a usar como guia e apoio para desenvolver o autocontrole.
O professor tem como objetivo estimular ao máximo os alunos a sentir a satisfação de poder fazer as coisas, cumprir seus desejos, ajudar os outros, porque ele estará assegurando o sucesso dos alunos.
A motivação pode ser individualizada, se os alunos têm diferentes níveis de aprendizagem, isso significa que também têm diferentes níveis de motivação. O professor que sabe usar adequadamente contigências de reforço como forma de motivação(prêmios e sanções) pode lograr melhores resultados com esses alunos e terão mais sucesso.
Com base nas idéias de Araújo e Oliveira, “A variação de metodologia possivelmente é mais crucial para os alunos quem têm dificuldade em acompanhar o ritmo das aulas e que requerem um atendimento mais personalizado e maior flexibilidade. Frequentemente se eles não aprenderem na primeira explicação, uma nova explicação, usando metodologia diferente, pode ajuda-los mais do que simplesmente repetir a mesma coisa da mesma forma”(P.322).


2.3- Participação da Família na Vida dos Educandos


Os primeiros passos para se obter a aprendizagem, origina-se da família, que sejam filhos de pais analfabetos ou não. No entanto a partir do desenvolvimento da linguagem , a criança começa a obter seu conhecimento.
De acordo com Araújo e Oliveira, “Num ambiente familiar rico do ponto de vista psicológico e cultural as crianças normalmente se desenvolvem as competências fundamentais para a leitura no contato com irmãos, adultos, vizinhos, por meio de interações, conversas e brincadeiras.(...)Essas competências são aprendidas de maneira informal. Mas grande parte das crianças oriundas de ambientes externamente pobres não têm  oportunidade de desenvolve-las”.(P.61)
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E como sabemos, educar é uma tarefa de todos. Assim como os professores, os pais querem o melhor para as crianças, pensam em um futuro com mais oportunidades de serem felizes e de se realizarem na vida profissional e pessoal. E para que esses sonhos possam tornar-se realidade, nossas crianças precisam desenvolver-se cada vez melhor.O envolvimento da família na vida escolar das crianças é fundamental, pois ela é capaz de despertar o interesse e a curiosidade delas e incentivar a sua aprendizagem. É importante que acompanhe a vida escolar delas, valorizem suas atividades, estimulem-nas a gostarem de aprender e a serem curiosas também na vida fora da escola. É por meio dessas atitudes e das concepções de alunos, pais e professores, é possível orientar o ensino das disciplinas de modo a torná-las uma experiência escolar de sucesso.
Os pais devem ajudar seus filhos logo no início, fazendo um acompanhamento freqüente e buscando extrair o que aprendeu na escola de modo que o ajude a aplicar novos conhecimentos na rotina do dia-a-dia. O interesse dos pais, bem como do próprio aluno, formam uma mescla de agentes diretamente ligados à aprendizagem.
Outro problema que afeta na aprendizagem escolar é a indisciplina que é o inimigo principal do educador porque dificulta o seu convívio em grupo e em sociedade. Isto não quer dizer que o aluno indisciplinado tenha dificuldade em aprender, mas deixa a sala de aula uma verdadeira desordem principalmente na relação professor-aluno. Pois ele provoca sérios problemas como: bagunça, tumulto, falta de limites, maus comportamentos, desrespeito as autoridades, etc. Este tipo de aluno está exposto à vários perigos, pois podem enfrentar a tentação das drogas, marginalidade, e nesse momento “escuro”, o filho precisa urgentemente da ajuda dos pais. Este que deve ter conversas abertas a todos os tipos de assuntos que podem ajudar em determinadas decisões dos filhos. Muitos pais ao invés de conversar, repreendem seus filhos o que impossibilita o diálogo e compreensão para se buscar a educação.  


2.4 - Dados e Identificação da Escola Dr. Jarismar Gonçalves Melo


A referida escola, onde foi realizada a pesquisa de campo, está localizada na Avenida Dr. Arruda n°37, Ipaumirim-CE, tendo como ponto de referência uma ponte estreita e um riacho ao lado direito.
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Em seu aspecto histórico, a Escola de Ensino Fundamental Dr. Jarismar Gonçalves Melo, recebeu este nome, em honra ao filho ilustre e líder político de Ipaumirim, Juiz de Direito, no ano de 1999. A escola funciona com o ensino fundamental I e II.
O construtivismo é a concepção filosófica adotada pela escola, que acredita que dessa forma se pode chegar a uma aprendizagem perfeita. Para que tudo ocorra em perfeita sintonia se concilia as reuniões de pais e mestres com regularidade. A política escolar tem se preocupado em dar ênfase a um trabalho disciplinar a fim de moralizar o aluno problemático. Só é lamentável não tem encontrado solução para as crianças com dificuldades na aprendizagem.
            Os objetivos da escola são:
  • Atender aos alunos desde a sua mais tenra idade até que chegue a fase adulta, respeitando as diversas etapas do crescimento humano.
  • Preparar o aluno para a vida, para o mercado de trabalho e para o livre exercício e sua cidadania.
  • Compreender a cidadania como participação social e política, assim como exercícios de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando no dia-a-dia , atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio as injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o respeito.
  • Utilizar diferentes linguagens, como meio para produzir, expressar e comunicar suas idéias.
De acordo com o Projeto Pedagógico, mostra que a Escola de Ensino Fundamental Dr. Jarismar Gonçalves Melo, sediada na Av. Dr. Arruda n°37, município de Ipaumirim, estado do Ceará, foi criada pele lei municipal n°05/99 no dia 21/01/1999 e inaugurada no dia 06/03/1999, pertencente à rede municipal de ensino, sociedade civil de fins educacionais.
São objetivos do estabelecimento:

* Geral:

  • Principiar o ensino fundamental ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto-realização, preparação ou qualificação para o trabalho e o exercício consciente da cidadania.

*Específicos:
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    Propiciar o desenvolvimento global do educando preparando-o para uma convivência sadia e um satisfatório desempenho na fase de escolarização regular.
  • Formar o educando utilizando conteúdos e métodos  de acordo com as fases do desenvolvimento do indivíduo, tendo em vista a preparação para a cidadania, a conveniência social e para o trabalho.
  • Formar, integralmente o educando com a devida preparação e/ou qualificação para o trabalho.
  • Desenvolver a interação de todos os setores que compõem o estabelecimento visando a melhoria do processo de ensino/aprendizagem.

O ensino será ministrado de modo a atender as diferenças individuais dos alunos, visando orientá-los convenientemente conforme seus interesses e optidões.
A escola oferece Educação Básica no Nível de Ensino Fundamental, onde são ministradas as disciplinas: Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Matemática, Ciências, História, Geografia, Artes, Religião, Educação Física, e os que vierem a ser autorizados visando desenvolver um trabalho de transformação dos alunos em cidadãos críticos.
A escola deverá manter em sua estrutura os seguintes órgãos: Conselho Escolar, Direção, Direção pedagógica, Congregação dos professores, Secretarias, Biblioteca, Arquivo, Serviços auxiliares e Comunidade Escolar.
O Corpo Docente é constituído por professores legalmente habilitados para o exercício do Magistério do Ensino Fundamental na forma da Legislação em vigor ou autorização a lecionar na forma da lei e técnicos em educação em atividade na escola.
O corpo discente é constituído por todos os alunos, regularmente matriculados na escola e em pleno gozo dos seus direitos regimentais.
O ano letivo terá no mínimo 200 dias letivos e 800 horas de trabalho escolar, não incluindo o tempo reservado ás provas e aos exames.
A estrutura organizacional é formada por um técnico administrativo, 26 docentes e 5 técnicos pedagógicos. O corpo docente ingressa na escola através de concurso público.    
O corpo discente desta escola, faz parte da classe mais carente deste município. Mas apesar disso, desempenha em sala de aula em bom rendimento, conseguindo aprovar-se a maioria desses alunos.
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Nessa escola, o ensino está dividido em dois segmentos: Ensino Fundamental e EJA, com carga mínima de 800 horas para o fundamental I e 880 horas para o fundamental II, distribuídos em 200 dias letivos.


2.5-Entrevista Com Professor

a) Como você desperta o interesse e a curiosidade dos alunos pelo tema trabalhado?
Resposta: Ensinando procedimentos e atitudes que sejam pertinentes a seu aprendizado em classe e na sua vida extra curricular. O aluno deve compreender que é “uma porta que se abre” para valorizar a diversidade cultural.
Esse argumento está voltado para o que diz Vigotsky que “o único bom ensino é o que adianta ao desenvolvimento”.   

b) Você já tentou de alguma forma resolver o problema para recuperar o aluno com dificuldade?Como?
Resposta: Sim. Motivando e trabalhando com recursos variados, pedindo ajuda a família.
E como diz Paulo Freire “... ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção.”

c) O que você faz para desenvolver a leitura nos alunos?
Resposta: Peço que leio livros de literatura em minha casa, histórias em quadrinhos e posteriormente fazer resumo ou contar para os colegas.
De acordo com Martins “o exercício da leitura representa um passo decisivo para valorizarmos nossas habilidades de ler e mediar leituras de várias linguagens em vários níveis. E acontece com mais freqüência do que se pode imaginar – a questão é ter consciência do processo e explorá-lo, especialmente se somos professores”(Martins, 1994, p.103).

d)Quais as dificuldades encontradas nos dias atuais para assimilar a leitura e a escrita enfrentando os desafios da educação brasileira?
Resposta: Alunos não alfabetizados/ repetente, falta de acompanhamento da família, alunos indisciplinados e outros problemas que devem ser diagnosticados.
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Segundo Assunção José, E e Coelho, M.T “Ao educador caba apenas detectar as dificuldades de aprendizagem que aparecem em sua sala de aula, principalmente nas escolas mais carentes, e investigar as causas de forma ampla, que abranja os aspectos orgânicos, neurológicos, mentais, psicológicos adicionados a problemática ambiental em que a criança vive. Essa postura facilita o encaminhamento da criança a um especialista que ao tratar da deficiência, têm condições de orientar o professor a lidar com o aluno em sala normal, ou se considerar necessário, de indicar sua transferência para salas especiais”(p.23).

e)Por que a abordagem de um tema deve ser a mais ampla possível?
Resposta: Porque o aluno irá obter uma melhor compreensão.
“A inteligência, nos diz Rubem Alves, seguem o caminho inverso da ação. Começando de onde se deseja chegar, evita-se o comportamento errático e desordenado a que se dá o nome de tentativa de erro”(Alves, R. 1981, p.33)
2.5.1- Entrevista Com Pais


a) Qual deve ser o perfil dos professores para seu filho?
Resposta: Ele deve tratar as crianças com afeto e rigor, impondo limites e abrindo horizontes. Ele precisa saber escolher, ouvir com interesse, apoiar e estimular os pequenos, levando-os a patamares mais elevados do conhecimento. Por fim, é fundamental gostar de crianças, de estudar e de viver.
E como diz Paulo Freire, “ o educador, como quem sabe, precisa reconhecer, primeiro, nos educandos em processo de saber mais, os sujeitos, com ele, deste processo e não  pacientes acomodados; segundo reconhecer que o conhecimento não é um dado aí, algo imobilizado, concluído, terminado, a ser transferido por quem o adquiriu a quem ainda não possui”.

b) Como você vê a escola, com relação ao ensino é comprometida com o aluno?
Resposta: Sim. Mas o desejo de aprender depende de cada um, se quer ou não aprender.
Segundo Emília Ferreiro, “...os métodos não oferecem mais do que sugestões, incitações, quando não pratica rituais ou conjuntos de proibições. O método não pode criar conhecimento”(1987, p.30).

c) Você incentiva seu filho na aprendizagem da leitura? Como?
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Resposta: Antes eu não dava muita importância, deixava tudo por conta da professora, mas ao participar das reuniões de pais e mestres, e ao ouvir a importância da ajuda dos pais na aprendizagem dos filhos, passei a acompanhar meu filho nas atividades escolares e a partir daí, eu percebi que ele começou a avançar na aprendizagem. E no dia-a-dia eu peço para ele fazer a lista de compras, ler rótulos de embalagens, ler bulas de remédios, etc.
Segundo Piaget, “o conhecimento está em permanente construção e ocorre por meio das interações do indivíduo com o meio em que vive. Cada novo conhecimento sedimenta-se sobre conteúdos já adquiridos por processos de assimilação e de acomodação. Há, portanto, um desequilíbrio inicial, seguido de um novo equilíbrio ou reequilíbrio”.

d) Como os pais devem escolher a escola ideal para seus filhos?
Resposta: Depende do tipo de formação intelectual e moral que se pretende dar aos filhos .
De acordo com Eulália & Cals, “a sociedade autorga a escola a missão de educar e instruir os alunos, visando a sua integração da forma mais plena possível, como seres individuais e com critério próprio para abordar assuntos diferentes, tanto aqueles relativos à maturidade pessoal como os referentes à sua integração social. Assim, a escola não pode agir independentemente; existe um outro sistema mais abrangente, que é administração do estado, dentro do qual ela está inserida e que é o que propõe os objetivos mínimos que cada aluno deve atingir ao concluir o ensino obrigatório”(p.26-27)

e) Você acha que o primeiro ano escolar é o mais importante? Por que?
Resposta: Com certeza sim. Porque é a base para o ponto de partida do conhecimento e se não conseguir alfabetizar-se logo, vai ter dificuldades e fracasso todos os anos.
Para Cagliari “o mais interessasnte é ensinar a ler e escrever, explicitando o que é a escrita(...), ensina-se logo o alfabeto, o nome das letras, como são desenhadas dentro de um gabarito, como revelam os sons da fala, como se combinam nas palavras e se distanciam na fala”(1987).


2.5.2 - Entrevista Com Aluno

a) Você gosta de ler? E qual é o gênero do texto?
Resposta: Um pouco. Leio poesia porque é texto com poucas palavras, gosto das rimas e a mensagem poética que toca o leitor.
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“...quanto mais diversificada a experiência de leitura dos alunos, quanto mais familiaridade eles tiverem com textos, narrativas, expositivos, descritivos, mais conhecida será a estrutura desse texto, é mais fácil a percepção das relações entre informações veiculadas no texto e a estruturação do mesmo”(Kleiman, 1993, p.87).

b) Alguns colegas não gostam de ler. Você acha que é possível ele aprender sem querer?
Resposta: De maneira alguma. Ele precisa ter força de vontade de aprender ou os pais dele não estão “nem aí” pra ele, e sendo assim não vai aprender nunca.
De acordo com Martins , “a leitura seria a ponte para o processo educacional eficiente, proporcionando a formação do indivíduo”(1994, p.25).


c) Sua professora, incentiva os alunos na leitura? De que forma?
Resposta: Todos os dias no primeiro horário de aula, ela faz leitura. Primeiro é a professora que ler, segundo leitura silenciosa com os alunos e por último, individual e oral. O segundo passo é a compreensão de texto.
“O comando da leitura e da escrita se dá a partir de palavras e de temas significativos a experiência comum dos alfabetizandos e não de palavras e de temas apenas ligados a experiência do educador”(Paulo Freire, 1989, p.29).   
 














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 CAPÍTULO III


                              RELATÓRIO DA PESQUISA DE CAMPO


O presente trabalho trata de uma coleta de dados que me forneceram subsídios para a realização da monografia. E com o olhar psicopedagógico institucional, segue o plano de trabalho: as observações, os registros, a análise dos dados coletados, onde pude diagnosticar alguns problemas de aprendizagem do aprendente citado abaixo:

Nome: Fernanda Santana de Souza
Data de nascimento: 17/06/1997
Filiação: Francisco Vicente de Souza e Rosa Maria Santana de Souza.
Escola: E.E.F.DR. Jarismar Gonçalves Melo
Diretora: Maria José de Menezes Guimarães.
Professora: Eva Ferreira Leite.
Curso: 1ª Série.

                                  














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DADOS DE IDENTIFICAÇÃO:


A instituição de ensino em que desenvolvi meu estágio foi na Escola de Ensino Fundamental Dr. Jarismar Gonçalves Melo, localizada na Avenida Dr. Arruda, n° 37 no município de Ipaumirim-Ceará. A referida instituição oferece apenas o Ensino Fundamental completo. Tem como diretora a senhora Maria José de Menezes Guimarães e coordenadora Maria Esivalda Lucena Farias Dantas. Durante a divulgação deste trabalho foram apresentadas algumas queixas como: baixo rendimento em algumas disciplinas, falta de interesse do aluno e poça participação da comunidade nas atividades escolares. Podemos caracterizar a estrutura física da instituição da seguinte maneira: possui uma área de 5000m²; o prédio é construído possuindo doze salas de aulas, uma secretaria, três banheiros e um auditório(desativado), possui também piscinas(desativadas), sala de professores, cantina e contamos com um total de 705 alunos matriculados e um quadro de 22 professores.
No aspecto de relacionamento entre alunos e professores, funcionários, pais e comunidade é satisfatório para ambas as partes.No decorrer do ano letivo, há reuniões com pais e mestres, mas nem sempre pode-se contar com a participação de todos na escola, apenas a minoria preocupa em marcar presença e participar da vida escolar do aluno.
A escola tem se preocupado com a formação dos professores, principalmente quando se trata de um novo projeto que facilite a aprendizagem como: o Paic, o Proformação e capacitação para um trabalho mais eficaz. Para fortalecer a educação e lutar pelos seus direitos e deveres, a escola tem criado um Conselho de escola e Grêmio estudantil. Não se pode deixar de esclarecer que o poder de decisão cabe a direção da escola e a comunidade não tem nenhuma participação na parte administrativa.
A relação da instituição com as autoridades é da melhor maneira possível, pois todos procuram lutar por uma melhor qualidade de ensino e uma boa aprendizagem.
O Núcleo Gestor da escola procura acompanhar os funcionários para que cumpram suas tarefas dando prioridade ao aspecto acadêmico – ensino e aprendizagem. A linha do trabalho é cumprir a carga horária e alcançar os objetivos do ensino. O professor espera que seus alunos aprendam e se tornem cidadãos críticos e que o sucesso dos alunos sejam resultado de um trabalho produtivo. Após uma avaliação dos programas, os resultados serão utilizados como base para reformular os conteúdos, dando ênfase nas dificuldades do aluno para que ele possa obter um bom rendimento.
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Nesta escola também há recuperação do aluno, que é dada de forma paralela e contínua.O segmento do calendário escolar se dá com 200 dias letivos e a carga horária sendo 800h/a.

                                   MOTIVO DE EXAME (QUEIXA)


F.S.S, de 11 anos, está cursando a 1ª série há 4 anos. Essa repetição de ano escolar, vem preocupando os gestores e professores, pois a mesma não conseguiu aprender a ler e  escrever, motivo que leva o aprendente a ser diagnosticada. Em seu aspecto de relacionamento apresenta timidez e não há interação com os colegas, exceto os que forem da família. A mesma não é capaz de compreender o que se diz, quando o raciocínio está no nível da aula, portanto, ainda não há uma área de aprendizagem específica.


                                          DADOS CLÍNICOS


A aprendente vive com seus pais, ambos agricultores, tem 5 irmãos e ocupa o 5° lugar da ordem de nascimento. Durante a anamnese, não foi declarada nenhuma regalias, ou rejeições com relação a esta ordem. É filha biológica e seus pais não tem nenhum parentesco. A mãe teve uma gravidez normal, apesar de não ter sido desejada, mas também não foi rejeitada. Ao nascer não foi detectado nenhum tipo de anormalidade, mas teve um crescimento tardio e começou a andar com 3 anos e tomou todas as vacinas.
Na família não há casos de alcoolismo, mais há de doenças mentais, cujo parentesco é uma tia, a qual não é acompanhada por nenhum médico. A família descreve que a aprendente tem problemas auditivo e dicção, é danada e briga com os irmãos, se for para se defender. Durante suas traquinagens o castigo é aplicado pelo pai, ficando de joelho ou ficar sem ver TV. Suas tarefas de casa são feitas com ajuda de outra pessoa.
Em casa, com seus familiares, ela é uma criança emotiva, irrita-se facilmente, é hiperativa, preguiçosa, desorganizada, medrosa, gosta de chamar atenção, é carinhosa e gosta de carinho.



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                                             OBSERVAÇÕES


No processo da atividade geral do grupo-aula, sempre há vínculo com atividades anteriores, pois é dada a orientação da tarefa pelo professor antes da execução dos trabalhos e no dia seguinte nova verificação de aprendizagem.
Para desenvolver as atividades, organiza-se um grupo-aula de forma coletiva, com atividades receptivas e executivas.
A atitude geral do grupo-aula observada é a falta de interesse e a concentração na tarefa.No final da aula  existe uma reflexão sobre a tarefa realizada com a avaliação coletiva.Apesar do esforço do professor, ele faz intervenções individual sobre a disciplina e tarefas, e na propostas de atividades, ajuda o aluno a pensar utilizando métodos adequados.Percebe-se desmotivação por parte dos alunos. No que se refere a valorização de distância do aluno, em sala de aula, o professor vai até ele e dá suporte para compreensão e chamando atenção do aluno.
Durante as atividades de alunos, pude observar que há pouca interação com o professor.
O professor inicia seus trabalhos motivando-os a aprenderem, tentando levá-los ao desenvolvimento através de diálogos e reforçando no que eles não aprenderam. A interação com os colegas é formado por pequenos grupos. Parece haver rivalidades entre alunos, os mesmos não demonstram conhecer as virtudes do ser humano. O que temos observado é que a maioria dos alunos não respeitam professores, colegas e núcleo gestor, o que dificulta no relacionamento para obter a aprendizagem. Vejo que o professor necessita de um assessoramento, principalmente quando se refere a indisciplina de alunos e que compete a direção investigar o caso e tomar as providências cabíveis, enquanto é cedo, para que recupere a boa conduta de alunos e possa colaborar no aprender.
Quando se fala de atitude diante das atividades, a atenção é bastante dispersa, a participação nas aulas é pouca, como também muitos não executam a tarefa. São poucos alunos que seguem a orientação do professor e executam a tarefa, os demais ficam esperando pelas correções do professor. Como observador não existia interação com o grupo, pois a atenção estava centralizada no trabalho
Durante o recreio, F.S.S., se destaca nas atividades de recreação, procurando logo alguma amiguinha e começa a correr muito, brincando do toca no pátio da escola. Sua atitude no jogo mostra-se tranqüila e sorridente, mas um olhar assustado. F.S.S., não se relaciona com todos os colegas, escolhe apenas uma, onde corre atrás dela, pelo pátio da escola, mas permanece calada. E não se dirige ao professor em momento algum. Suas normas e hábitos é entrar na sala de aula caladinha, fica sentada e só levanta pra ir pra casa. Não pede para ir ao banheiro e nem tomar água. Nas atividades foram utilizados alguns materiais de apoio como: livros didáticos, cadernos, lápis de cor, etc. A aluna não faz atividades caprichadas e muitas vezes desorganizadas. Seu desenho não mostra traçados definidos e a pintura é feita apenas com uma única cor r traços fortes. O nível de representação do desenho, ainda se encontra no realismo fracassado, porque ela tenta reproduzir algumas formas. A cópia não é correta , muitas vezes omite letras no meio das palavras. O grafismo é fraco, com dificuldades perceptivas e motora. Não une bem as letras, os traços são redondos e a pressão do lápis é normal. Não foram observados nenhum trabalho manual. Há também dificuldades de se relacionar com o grupo. Com  relação aos conteúdos não consegue reconhecer as letras do alfabeto, só consegue copiar. Em cálculos, só consegue contar 05 e não é capaz de resolver operações mentais.
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EXAME PSICOPEDAGÓGICO:

F.S.S., responde as atividades, tranqüila e rapidez. Observa-se durante o exame, que ela não pára um momento para refletir como irá resolver as questões, resolve logo de imediato. Com as sessões propostas ao aprendente, verifica-se que a mesma não reconhece as letras do alfabeto, tem dificuldades em memorizar as cartas no jogo da memória, coordenação motora razoável, esquema corporal reconhecido. Há confusão de lateralidade, posição e discriminação visual e formas. A aprendente também apresenta problemas de dicção, omite letras e faz confusãio das consoantes surdas por sonoras: f/v, p/b, ch/j e conservação de líquido. Demonstra coordenação motora razoável tendo hipertônus, estando a aprendente no nível de escrita silábico, seu desenho está no realismo fracassado. Na prova dos vínculos afetivos “eu com meus companheiros”, faz alguns desenhos e diz oralmente que são eles; embora tem alguns colegas que não sabe o nome; a professora também foi representada no desenho. Na seqüência lógica , ela observa detalhes da gravura, mas na hora da representação acaba esquecendo alguns detalhes.
Foram apresentados alguns testes com lateralidades, formas, discriminação visual e auditiva, dicção , leitura e escrita. Com a apresentação dos testes como o IAR, jogo da memória, experimentos, planta baixa da escala, foram possíveis diagnosticar que a aprendente, apresenta característica de dislalia (troca de fonemas) e uma dislexia com característica hereditária.
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PROPOSTA DE INTERVENSÃO: (fala, leitura e escrita)

Com as dificuldades leitura e escrita, fala e atividades lúdicas, sugiro que faça com que a aprendente mostre interesse em participar das atividades, utilizando fichas e alfabeto móvel com métodos variados. Seria importante trabalhar com jogos para desenvolver seu raciocínio lógico. O diálogo ajudará perder a timidez e melhorar a língua falada. A aprendente tem um bom comportamento, o que facilita na sua recuperação. Outros pontos positivos é que ela não perturba as aulas e não comete agressão contra os colegas



ENCAMINHAMENTO


Proponho um atendimento com um fonoaudiólogo e um atendimento com  um psicopedagogo institucional.


                                                            















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CONSIDERAÇÕES FINAIS


            Ao longo desta pesquisa foi discutido diferentes posicionamentos teóricos que fomentaram o estudo da aquisição da leitura e escrita. E no processo de escolarização do indivíduo é visto como sinônimo de aprendizagem, mas a compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre texto e o contexto. A partir desta perspectiva, uma parte dos problemas que o aprendente tem que resolver, refere-se ao domínio de seu uso, isto é, precisa sempre do apoio de um mediador, que oferece métodos para chegar a uma compreensão. Resta-se ainda alguns pontos obscuros neste desenvolvimento, especialmente os que se referem ao domínio dos aspectos morfológicos e sintáticos. Provavelmente, em um futuro não muito distante, novos desenvolvimentos permitir-nos-ão compreender melhor a aquisição da leitura e escrita. Pois sabe-se também que muitos alunos têm muita dificuldade de seguir uma seqüência didática para produzir textos e os erros ortográficos é um fracasso.
            Compreendemos que a realidade é dura e árdua da Escola de Ensino Fundamental Dr. Jarismar Gonçalves Melo; todos os educadores querem uma homogeneização na aprendizagem. Mas é preciso que haja colaboração entre todos os sistemas; pois só teremos educação de qualidade para todos, se os sujeitos dos sistemas lutarem para transformá-la; haja visto que, o processo de ensino e aprendizagem está centrado diretamente buscando transformar o meio social, cultural e profissional com vista em adquirir conhecimento para sua formação e construir sua própria história de vida.
            Portanto, essas foram as minhas observações e comentários sobre leitura e escrita. Espero que os estudiosos continuem aprofundando seus conhecimentos sobre este tema para amenizar essas dificuldades e melhorar o nível de aprendizagem dos nossos educandos.









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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS




ASSUNÇÃO José, E. e COELHO, M.T.  Problemas de Aprendizagem. São Paulo: Ática, 1997.

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares nacionais – PCN’s. Brasília; Ministério da Educação e do Desporto, 1997.

CARRAHER, Terezinha Nunes (org). Aprender Pensando. Petrópolis. Vozes, 2002.

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e lingüística. São Paulo. Scpione, 1989.

FERREIRO, Emília. Alfabetização em processo. 15ª ed. São Paulo, Cortez, 2004.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que completam. São Paulo. Autores associados, Cortez, 1989, (coleção polêmica do nosso tempo).

KLEIMAN, Ângela. Texto e leitor: Aspectos Cognitivos. 2ª ed. São Paulo: Ática, 1994.      

MARTINS, Maria Helena (org). Questões de linguagens. São Paulo. Contexto, 1994. (Coleção Repensando o ensino). Vários autores.

OLIVEIRA, João Batista. Araújo. Alfabetização de Crianças e Adultos: novos parâmetros. Belo Horizonte: Alfa Educativa, 2004.

VIGOTSKI. Pensamento e Linguagem. São Paulo. Martins Fontes, 1989.





























ANEXO



















ENTREVISTA COM PROFESSOR


  1. Vivemos em um mundo globalizado. Quais as contribuições do avanço tecnológico para a leitura e a escrita dos alunos no Ensino Fundamental?
  2. Como você desperta o interesse e a curiosidade dos alunos pelo tema a ser trabalhado?
  3. Que atividades são propostas e que métodos são usados para desenvolver a leitura?
  4. Que exemplos concretos demonstram que os objetivos das atividades foram atingidas?
  5. Os alunos têm oportunidade de acompanhar seu próprio progresso? Como?
  6. Por que a abordagem de um tema, deve ser a mais ampla possível?
  7. Quais as dificuldades encontradas nos dias atuais para assimilar a leitura e a escrita, enfrentando os desafios da educação brasileira?
  8. Na sua opinião, porque existe aluno que não consegue aprender a ler?
  9. Você já observou algum problema que dificulta na aprendizagem do aluno?
  10. Você já tentou de alguma forma resolver o problema para recuperar o aluno?
  11. Se na sua escola tivesse um psicopedagogo para atender educandos com dificuldades na aprendizagem, você seria capaz de colaborar com ele?
  12. Há grandes desafios na educação brasileira. Qual o mais urgente na realidade atual do país?
  13. Que recurso você utiliza para ajudar as crianças na construção da escrita?
  14. O que você faz para desenvolver a leitura nos alunos e terem o prazer de ler?
  15. Você conta com a participação da família para resolver problemas de alunos?










ENTREVISTA COM PAIS DE ALUNOS


  1. Você acompanha o desenvolvimento da aprendizagem de seu filho? Como?
  2. Você já observou alguma dificuldade? Tenta ajudar ou deixa tudo por conta da escola?
  3. Como você vê a escola com relação ao ensino? É comprometida com o aluno?
  4. Há reuniões de pais e mestres com freqüência? Você costuma participar e dar opiniões?
  5. Qual deve ser o perfil dos professores para seu filho?
  6. Através de pesquisas realizada pelo (SAEB) em 2003, mostra que 96% das crianças da escola pública saem da 1ª série sem ler e escrever. Você poderia apontar as causas desse fracasso?
  7. Por que o primeiro ano escolar é o mais importante?
  8. Como os pais devem escolher a escola ideal para  seus filhos?
  9. Quem são os verdadeiros responsáveis pelo caminho do sucesso dos filhos?
  10. Você já tentou de alguma forma resolver o problema para recuperar a aprendizagem do seu filho? Como?
  11. O que você acha sobre a educação de hoje?
  12. Para você o que a leitura pode favorecer aos nossos educandos?
  13. Como você cuida da auto-estima de seu filho?
  14. De que forma você transmite noções de responsabilidades e valores para seu filho?
  15. Você acha que a reprovação escolar deixa o aluno desestimulado? Por quê?











ENTREVISTA COM ALUNO


  1. Você gosta de ler? Que tipo de texto?
  2. Você compreende o que ler?
  3. No início em que você começou a estudar, teve alguma dificuldade em aprender a ler? Quem te incentivava na leitura?
  4. Alguns colegas não gostam de ler em público ou em voz alta. Você sabe o porquê?
  5. Você tem alguma dificuldade na escrita? E o que a professora faz para você melhorar?
  6. Quando a professora propõe exercício para casa, você responde sozinho ou precisa da ajuda de alguém?
  7. Você costuma entender as explicações da professora durante as aulas? É atencioso(a) e faz perguntas?
  8. Sua professora incentiva na leitura? De que forma?
  9. Como seus pais participam de sua vida escolar?
  10. Você já pensou em alguma profissão para exercer quando crescer? Qual e porque escolheu?

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